A
farda escura da Polícia do Estado era uma indumentária sóbria e prática. Para
Inácio Quiroga, a sua farda representava a lei e a ordem, as duas coisas às
quais decidira dedicar a sua vida. Há doze anos que vestia a farda todos os
dias e a manhã do seu trigésimo aniversário não foi excepção. Após um
pequeno-almoço simples de café e torradas, olhou para o relógio e saiu de casa
em direcção à interface de transportes públicos dos Sapadores.
Já no autocarro, a caminho da sede,
aproveitou para observar Lisboa. Era espantosa a forma como a cidade tinha
evoluído ao longo dos anos para se tornar naquilo que o lema da cidade -
“Cidade nossa, cidade perfeita” - apregoava. Por muito pretensioso que soasse,
Inácio não podia deixar de concordar. Tudo estava interligado, desde o complexo
sistema de transportes públicos à rede de telecomunicações, como um grande
ecossistema.
Chegando
ao seu destino, o veículo parou e as portas abriram-se automaticamente. Inácio
saiu para o passeio e observou a fachada frontal do imponente edifício da
Câmara do Estado. Na mesma rua também se encontrava o maior edifício da cidade,
o arranha-céus da Natura ExMachina. O facto da torre da N.E.M. ensombrar a
Câmara do Estado era algo que desagradava a Inácio. A imagem de um Estado que
governa sob a sombra da única empresa privada da cidade não era de todo
agradável.
Inácio ia embrenhado nestes
pensamentos enquanto se dirigia à zona do edifício, reservada às forças da
Polícia do Estado, quando se deparou com o Secretário para a Administração
Interna. Pôs-se em sentido. “À vontade!”
ordenou o Secretário-geral “Siga-me até ao meu gabiente”. Chegados ao gabinete,
o Secretátio carregou num botão da secretária. Os vidros escureceram, e o ruído
exterior dos outros agentes deixou de se ouvir. O gabinete estava agora
insonorizado. “Capitão, aqui está a sua missão.” disse o Secretário, entregando
um envelope cinzento. Inácio conhecia os procedimentos, o envelope cinzento
significava que os documentos contidos eram confidenciais e seriam atomizados
ao fim de 5 minutos. “Como sabe, o actual Presidente foi raptado pouco depois
de confirmar a sua recandidatura para o cargo.” Enquanto fazia esta observação,
o Secretário andava nervosamente de um lado para o outro do gabinete. Inácio
tomou a inciativa “Se me permite.” O Secretário parou e encarou Inácio. “Diga
Capitão.” Inácio já tinha percebido o que lhe estava a ser pedido, mas tinha de
confirmar. “Este caso não me pertence, foi entregue a uma comissão destacada
especialmente para o efeito.” Desconfortável, o seu interlocutor hesitou antes
de responder. “A comissão não tem, nem deverá ter conhecimento da sua missão.”
Após alguns instantes de silêncio, o Secretário prosseguiu” “Como também deverá
saber a N.E.M. tem feito a cobertura da notícia exaustivamente. A empresa tem
sido o único canal de comunicação entre o Estado e os raptores e a responsável
por esse canal é Eva Rodrigues dos Santos.” O Secretário baixou os olhos. “Já
tentámos obter mais informações através dela, mas recusa-se a responder às
nossas questões. Invoca a lei da imunidade dos media. Ainda não compreendemos a recusa em colaborar com as forças
que lutam pela segurança do Presidente que mais fez pelos Lisboetas.” Inácio
respirou fundo antes de responder. “A não ser que ela esteja envolvida com os
raptores...” A cara do Secretário empalideceu. “Por isso é que vim ter consigo.
Contudo, não posso concordar com a sua especulação. Eva Rodrigues dos Santos
está acima de qualquer suspeita, não se esqueça que é à N.E.M. que devemos as
nossas vidas. É à empresa que devemos a maravilhosa cidade onde vivemos. Toda a
informação que sai daquele edifício é tão pura como a água que bebemos.” Após
este discurso politicamente correcto, o Secretário sentou-se sobre a
escrivaninha e num tom mais baixo disse “Desconfio que a jornalista está a ser
coagida por alguém. Tenho fortes suspeitas de que mal ela revele a intenção de
nos dizer a localização do Presidente será executada. A sua missão, Capitão, é
penetrar na torre da N.E.M. e descobrir na base de dados da empresa a
informação que Eva está impedida de nos revelar directamente”.
Mal o Secretário saiu, Inácio abriu
o envelope e começou a ler o conteúdo. Nos documento fornecidos estavam os
principais sistemas de segurança da torre, os horários dos turnos dos guardas e
uma planta do edifício. Quando terminou guardou tudo dentro do envelope que se
atomizou automaticamente. Durante o resto do dia desempenhou as suas funções
com normalidade, saiu do edifício à hora do costume e apanhou o autocarro
habitual para casa. Chegado a casa, olhou para o relógio. Ainda não tinha
chegado a altura, Inácio sentia-se inquieto e oprimido pelo lento avançar dos
segundos no seu mostrador. Ligou a televisão para ver o noticiário. A figura
sorridente de Eva Rodrigues dos Santos inundou a sala. Noticiava os últimos
desenvolvimentos do caso do rapto do Presidente. Os raptores ainda não tinham
feito nenhuma exigência e o dia das eleições estava cada vez mais próximo. No
parlamento já se discutia a hipótese de realizar as eleições sem um dos
candidatos. Novamente passaram as imagens do presidente em cativeiro, rodeado
pelos seus captores. As vozes distorcidas digitalmente e partes da imagem
estavam censuradas. Enquanto via o noticiário, Inácio revia mentalmente os
objectivos da sua missão. Seguiu-se a notícia de um novo avanço científico
atingido pela Natura ExMachina e após esta, várias notícias de menor
importância até ao final do programa. Inácio detestava a televisão, tudo era
tão rápido, a sucessão de ideias a uma velocidade louca não deixava tempo para
reflectir sobre elas, o seu raciocínio era constantemente interrompido pelo
sorriso de Eva.
Quando
o relógio apitou, meteu a pistola no coldre, fixou o bastão eléctrico no cinto
e vestiu o casaco da farda. Saiu de casa e dirigiu-se a pé para o enorme
edifício que dominava a paisagem da cidade. Inácio parou à frente da torre.
Falhara nos seus cálculos, o turno ainda não mudara. Para ocupar o tempo foi
até ao parque mais próximo e sentou-se num banco próximo do monumento mais importante
da cidade, o magnífico Memorial ao Mundo Perdido. Nesses instantes em que
observou o monumento, perdeu-se nas palavras que o cobriam e relatavam a
história da Nova Lisboa.
A
cidade onde vivia era o projecto mais arrojado alguma vez feito pelo Homem. A
inspiração tinha vindo de uma experiência feita entre 1991 e 1993, em que um
grupo de investigadores de vários ramos da ciência se tinham isolado numa
estufa de 17.000m2 com o intuito de descobrir, num ponto mais pequeno, como
criar um ecossistema artificial que funcionasse de forma equilibrada e
perfeita, em que a variável conhecida como Caos fosse neutralizada. Por outras
palavras, procuravam uma forma de emular um sistema ambiental semelhante ao da
Terra, mas controlável – o intitulado “Projecto Biosfera”. No caso de Lisboa o
objectivo foi diferente, consistiu em criar uma cidade isolada do resto do
mundo em que o homem pudesse viver. As obras concluíram-se com sucesso, a
engenharia humana testemunhava um enorme triunfo. Uma cidade que oferecia
conforto, ecológica, prática, funcional e sem desperdícios. Construída sob
várias cúpulas interligadas entre si, era abastecida por robots que trabalhavam
em campos de cultivo anexos e que formavam um anel em volta da cidade. Após a
sua conclusão, a cidade de Lisboa foi considerada o expoente máximo da
engenharia humana do final do século XXI. Enormes espaços verdes para conforto
dos habitantes, casas esteticamente belas e sem desperdício de espaço,
instituições com os mais avançados equipamentos tecnológicos para investigação
científica. Entretanto, uma pequena sucursal da grande empresa mecenas deste
projecto, a Natura ExMachina, ficou encarregue de gerir os serviços da cidade.
Foi neste contexto que se iniciou a re-colonização de Lisboa, após vários anos
deslocalizada para uma zona periférica.
Em pouco tempo a cidade preencheu as vagas de população que necessitava.
Como acordado, a N.E.M. foi passando
gradualmente os organismos da metrópole para o Estado, desde fábricas a órgãos
de soberania.
Um
dia, subitamente, as portas da cidade selaram-se. Em poucos minutos a N.E.M.
anunciou o sucedido. Um ataque terrorista de proporções mundiais. Em todo o
mundo milhares de obuses explodiram, libertando para o ar um novo vírus
geneticamente modificado e extremamente contagioso. Felizmente a cidade estava
isolada e a informação viajou mais depressa que o vírus. O Apocalipse tinha
chegado e dizimado o resto do mundo. Lisboa tinha sobrevivido, mas a partir
daquele momento passou a ser o último lugar do mundo onde a Humanidade existia.
Embora
a vida não fosse tão luxuosa como dantes, era bastante agradável. A cidade
prosperara, a Natura ExMachina controlava agora apenas parte do sector de
investigação científica e os órgãos de comunicação. Foi criada uma nova rede de
informação para substituir a antiga Internet. O monumento tinha escrito
tudo isto sob a forma de um friso que crescia numa espiral em direcção ao céu,
suportado numa maqueta da cidade que, por sua vez repousava sobre uma
superfície curva que invocava a terra.
Inácio
olhou para o relógio. Aproximava-se a hora do render dos guardas. Levantou-se e
foi em direcção ao edifício da N.E.M.. No local passou logo à acção, surgiu por
detrás de um guarda e com um golpe rápido e seco com o bastão eléctrico
deitou-o por terra. Retirou-lhe a identificação que colocou sobre a sua farda.
Tudo correu como previsto. À porta cumprimentou os guardas, e ocupou no
edifício o local de vigia. Não esperou muito até a torre mergulhar no completo
silêncio. Cuidadosamente observou o cenário à sua volta. Havia câmaras,
detectores de calor, som e movimento, o chão estava repleto de detectores de
pressão. Se Inácio pisasse o chão fora do local do seu posto de vigia sem ter
accionado manualmente o alarme, este soaria de qualquer modo, denunciando a sua
traição. Sem outra escolha, Inácio saiu do seu posto. De repente o corredor
encheu-se de fumo e soou o alarme. Em poucos segundos todos os guardas,
incluindo Inácio, tinham colocado os visores termográficos. A confusão inicial
depressa se transformou numa caça ao homem.
A
certa altura um grupo de guardas deu o sinal de que tinham localizado o
invasor. Inácio estava cercado. Sacou do bastão eléctrico e da pistola
mostrando a sua intenção de que mataria se fosse necessário. O primeiro guarda
atacou de bastão em punho, a arma vibrou rente à cara de Inácio que se tinha
desviado de modo a defender o ataque vindo de trás. Os guardas tinham guardado
as armas de fogo, como estavam em círculo qualquer tiro disparado poderia
acertar num colega. Inácio varreu com o bastão uma vasta área acertando em
alguns guardas e imobilizando-os com a descarga eléctrica. De todos os lados
choviam ataques. Inácio girava sobre si próprio, saltava, dobrava-se, fazendo
os possíveis para não ser atingido. Com o bastão estocou um dos guardas e,
usando-o como aríete abriu caminho por entre o cerco que lhe tinham feito. Mal
se viu fora do círculo de guardas correu a toda a velocidade para a sala de
arquivo. Mal soara o alarme os andares foram todos selados, mas Inácio previra
isso ao colocar-se no andar dos arquivos.
A
toda a velocidade, perseguido de bastante perto pelos guardas da N.E.M.,
percorreu todo o corredor de encontro à porta da sala dos registos
audiovisuais. Sacou da pistola e apontou para quem o perseguia. “Para trás…”
Arfou. “Não me obriguem a disparar!”
Inácio
precisava de ganhar tempo para que o descodificador que ligara ao painel de
abertura da porta conseguisse forçar a entrada. Os guardas que o perseguiam
puseram-se em posição de disparar. “Se dispararem levo-vos comigo!” Avisou
abrindo o casaco e exibindo a carga de explosivos falsos que fingiu activar.
Seguiu-se um momento de tensão. Por breves segundos tudo ficou em silêncio,
apenas o bater do coração se fazia ouvir. Os números corriam na máquina ligada
ao painel de abertura da porta. Os guardas puxaram o gatilho, as balas voaram
no momento em que a porta abriu, Inácio saltou para dentro da sala. Quando caiu
do lado de dentro agarrou-se à perna, tinha sido atingido de raspão, mas a
visão que teve de seguida fê-lo esquecer tudo.
À
sua volta, prateleiras e prateleiras armazenavam pequenos cartões de memória.
Ao centro da sala, uma esfera com uma ranhura projectava os registos. Os olhos
de Inácio percorreram as prateleiras excelentemente organizadas por temas e
datas, encontrando sem a mínima dificuldade o que procurava - Santos, Eva
Rodrigues dos. “Reportagem – Rapto do Presidente”. Televisão de Lisboa. Lisboa:
N.E.M., 25/10/2129”. Inseriu o cartão no mini-PC e enviou via Intranet para o
Secretário da Administração Interna. A sua missão estava cumprida, bastava-lhe
esperar que abrissem a porta e depois o prendessem. Era um pequeno sacrifício
que ele não se importava de pagar pelo sucesso da missão.
Do
lado de fora os acontecimentos também se iam desenrolando. “Senhor, ele barricou-se
dentro da sala de registos. Quais são as suas ordens?” Perguntou um dos
guardas. “Abram-na!” Respondeu uma voz idosa do outro lado do intercomunicador.
“Mas durante o tiroteio danificou-se o painel de abertura, senhor. Devemos
explodir com a porta?” Perguntou o guarda hesitante. “NÃO!” Gritou a voz.
“Podem danificar os cartões de memória. Vou mandar uma equipa para fazer um
buraco na porta.” Disse a voz decidida. “Mas senhor isso vai demorar tempo, não
seria melhor…” O guarda, apressado insistiu. “Tenente, aquela sala só tem uma
saída. A mesma porta por onde o invasor entrou.” O intercomunicador
desligou-se.
A
sala dos registos iluminou-se em tons azulados. Inácio ligara a esfera no
centro da sala, já que iria ficar fechado na sala aproveitaria para visualizar
alguns registos. Atrás de si a porta era cortada a laser. Indiferente ao que se
passava, escolheu a inauguração do memorial às vítimas do vírus. As imagens
daquele dia projectaram-se no ecran. O Presidente da altura puxou um cordão e a
estátua revelou-se ao mundo. Cerca de uma centena de pombos do mais puro branco
foram libertados em direcção ao céu limpo. Inácio esfregou os olhos. Fez a
imagem andar para trás e pôs a cena a correr outra vez. “Céu?” Inácio nunca
tinha visto o céu ao vivo, a cúpula da cidade tapava-o. Agora que lhe olhava
com atenção, nem as ruas lhe apreciam as mesmas. As imagens que viu de seguida
confirmaram as suas suspeitas. Um grande plano mostrava agora a cidade do lado
de fora da cúpula. Inácio verificou de novo a data do registo. Não havia
dúvida, já tinham passado quatro meses depois da notícia do ataque terrorista.
“Impossível.” Murmurou com a voz rouca do choque. “Impossível. Estas pessoas
supostamente deveriam estar já mortas com o vírus”.
Foi
então que Inácio percebeu tudo. Na sua mente, ligou todas as peças do puzzle, a
conclusão formou-se, resultando numa grande espiral semelhante à do Memorial ao
Mundo Perdido. Alguém pusera em práctica o plano mais sinistro da história da
Humanidade. Algo tão simples e com proporções tão grandes. Era tudo mentira! Do
lado de dentro da cidade disseram que
existia um vírus do lado de fora. Do lado de fora as pessoas foram informadas
de que o vírus estava dentro da cidade. Um círculo perfeito! E só uma
instituição teria os meios e a capacidade para executar um plano destes: A
Natura ExMachina. O veículo de toda a informação, a N.E.M. insistiu em ficar
com o monopólio da informação para que a verdade nunca fosse descoberta...
Inácio
caiu de joelhos, sentia que a cabeça ia explodir. Como é que a verdade
permanecera escondida tantos anos? Lágrimas escorreram pela face de Inácio no
momento em que a porta caiu. Um homem idoso, vestido com um fato branco, entrou
calmamente. Inácio Quiroga não conseguia parar de pensar nas famílias separadas,
nos amigos perdidos, nas vidas destruídas, no tempo que tinham perdido,
isolados do mundo. Apenas uma pergunta ecoava na cabeça de Inácio: “PORQUÊ?” O
homem idoso pôs-se de cócoras ao lado de Inácio e sussurrou gelidamente:
“Poder.” Inácio levantou-se, novamente chocado.
À sua frente estava o presidente da Natura ExMachina. Sim, fora ele! Que
outra pessoa poderia querer controlar em pleno uma cidade inteira. O presidente
de uma pequena sucursal que pretendia fugir do controlo da empresa mãe, mas
manter o acesso aos vastos recursos desta permitindo a ascensão vertiginosa de
pequena empresa integrada numa grande multinacional a entidade controladora de
toda uma cidade. Vinte e quatro horas por dia, a N.E.M. influenciava
subtilmente a opinião da cidade através dos jornais, da televisão, da
publicidade. Apenas os livros que fossem do agrado da instituição eram
publicados, já que eles eram a única editora de relevância. Mas supostamente
deveria haver uma figura que fizesse frente ao domínio da empresa, alguém que
impedisse a N.E.M. de controlar a cidade. O Presidente! O homem que defendia
que deviam existir mais canais e mais editoras, o que prometera, se fosse
reeleito, que iria criar um órgão do governo responsável por transmitir a
informação dos ministérios. Agora percebia o motivo do rapto. A mão de Inácio
agarrou o bastão eléctrico e num impulso levantou-o acima da cabeça e
preparou-se para desferir um golpe na figura diante de si. Ao mesmo tempo uma
voz idosa, a do verdadeiro Presidente da N.E.M., soou pelo intercomunicador.
“Mata-o!”, ordenou. “Claro, um fantoche!” pensou Inácio, antes de uma bala
vinda de trás entrar no seu crânio perfurando-o de um lado ao outro.
***
No
dia seguinte nenhum corpo deu entrada na morgue. Nenhuma notícia referiu que a
torre tinha sido assaltada. O registo que Inácio pagara com a vida para ser
enviado não chegou ao seu destinatário. Inexplicavelmente, a Intranet teve um
erro no servidor precisamente no momento em que Inácio entrou na Sala dos
Arquivos. Os guardas presentes durante o incidente foram proibidos de divulgar
o sucedido. Mas o Caos é uma variável omnipresente que não pode, como a N.E.M.
desejava, ser neutralizada. E neste caso, o Caos manifestou-se na forma de um boato
que foi ganhando forma e que de boato rapidamente passou a ser uma lenda
urbana.
A
Natura ExMachina não podia prever o futuro, mas no futuro teria de lidar com
algo maior, que definitivamente fugia ao seu controlo. Esse algo tinha um nome.
Chamava-se Humanidade.
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