quinta-feira, 26 de setembro de 2013

AVISO

Começo hoje, tardiamente, a postar os contos revistos. Peço desculpa do atraso mas ele tem duas justificações:
1) Tenho mesmo muitas coisas para ler.
2) Uma boa revisão é lenta. Mais lenta do que, muitas vezes, a escrita. 
3) Precisei de uma semana para recuperar do esforço, suponho que vocês também. (6x4h30: se não tiverem ficado esgotados não são humanos.) 
4) Já não tenho a velocidade que tinha há 30 anos. 

domingo, 22 de setembro de 2013

NOVAS

Feita uma pausa - neste caso, uma semana inteira, após 4 horas diárias de trabalho intenso (parabéns) - durante seis dias, podemos recomeçar os trabalhos.
Esta semana serão afixados aqui os contos que as pessoas enviaram, e o eco devido será dado.
Recapitulando: qualquer crítica, mesmo da Autoridade Professoral, é sempre uma opinião. Pode é ser menos ou mais fundamentada.
Aqui vai uma crítica geral então, carapuça a enfiar por quem quiser:
a) Qual o interesse da história que decidiram contar?
b) Eu lê-la-ia se fosse escrita por outro? 
c) Há influências que eu próprio reconheço? (Ou vou responder à maneira, dizendo que acho que o que eu faço não me parece parecido com nada? Eu tenho sempre sérias dúvidas...)
d) Os desvios à morfologia e/ou sintaxe (exemplo, falta de vírgulas) são propositados ou disfarçam incúria, desleixo, ignorância? Hum?

Que ritmo quero eu dar ao meu texto? Por que motivo uso certa linguagem e não outra? Seco ou prolixo? Há movimento, direcção, sentido ou não?


domingo, 8 de setembro de 2013

Críticas a uma comédia americana que ajudam a compreender o que procuramos/evitamos numa história

O trailer do filme aqui.
As notas críticas aqui.

A crítica - ou seja, a leitura, a opinião, a edição - reflecte o que está lá ou o que este leitor específico viu. E, ao fazê-lo, ajuda-nos a compreender os ingredientes e o tempo de cozedura.

Amostras médicas:
1) "Here Comes the Boom" is so full of clichés from other, better movies that it is almost plays like a parody of an underdog tale.
2) The 'Mr. Holland's Opus' meets 'Rocky II' story will satisfy some who long for innocuous content, even those who know James deserves better material.
3) The film aims to be simultaneously a coarse sentimental little-guy comedy, a tale of embracing the American dream, and an increasingly serious underdog fight movie on the lines of Rocky. It fails on all three counts.
4) Surprisingly enjoyable, thanks to strong comic performances, likeable characters and direction that gets the tone exactly right.

Sonetos sabáticos

Vasco Oliveira: Boletim meteorológico

Hoje haverá nuvens sem o Sol se levantar
Se fingirá o mar picado e a Lua certa,
Lá no alto, o quarto fará minguar
Algures ainda pela tarde descoberta.

O amanhã terá mais da mesma cor,
Cinza monótono, triste e pastelão,
Num céu nublado sem aparente razão.
Será plúvio ou castigo, tão celeste pôr?

Porém, sou homem de alargada previsão
Que isto do tempo, Deus o fez para enganar,
E assim trará o amanhã de amanhã calor de aflição.

Tudo o que quero é este cinzento apressar,
Pois em nestes dias de termómetro fresco
É com o boletim que sou forçado a suar.

Balanço provisório

Chegados ao fim da exaustiva semana ('exaustiva semana' ou 'semana exaustiva'? o que fica melhor?), passamos à fase 2, a mesmo séria: o que fazer com aqueles 'conhecimentos'?
O que ficámos a saber, basicamente, foi:
1) Queres escrever, escreve.
2) Disciplina diária 15-20 minutos, teimosamente. Em qualquer hora do dia, mas seis dias por semana. (Exemplo: se terça eu não fizer nada, fico sem mais dias para gazeta).
3) Pressão, descompressão. «A inspiração surpreende-me sempre a trabalhar.?
4) A história que eu tenho para contar é como um monstro de filme de terror: está mais perto do que julgamos.
5) «Descalçar a bota» - como resolver este problema? Como ir do ponto A ao ponto B?
6) Uma história é sempre uma crise: a passagem de um estado a outro.
7) Pequenos passos e, depois, esconder as costuras.

Fico a aguardar o conto. Facultativo. Se me enviarem só no fim de Setembro, não conseguirei dar resposta antes de Novembro...

Em breve vou postar aqui os mails, para a troca. Mas só o farei se me derem permissão para isso.




sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Metástase - Alberto Pimenta

O jogo dos anagramas levando a um limite de virtuosismo. Ver aqui.

Colectivo 10: Elsa Caetano

O CAIXOTE


A campainha tocou. António desceu as escadas à pressa. No chão, estava um enorme caixote com um letreiro que dizia «António Cunha». (Elsa Caetano)
António aproximu-se da porta da rua, mas não viu ninguém. No deserto da estrada, era apenas ele e o caixote. Coçou o queixo. (Sónia Louro)
O caixote encontrava-se impecavelmente selado, sem qualquer referência ao remetente. (Gonçalo Dias)
Coçou o queixo novamente (era a sua marca registada)e tirou o canivete do bolso. (Pedro)
«E  se for uma bomba? Ou gás sarin?» - pensou. «Andam por aí muitos malucos». (Sofia)
Abriu o caixote com a ajuda do canivete e dentro estava um livro. (Ricardo)
Pegou no livro e reparou que a capa não tinha título. Abriu algumas páginas e viu que não tinham texto. Era um livro em branco. (Vera)
António voltou a subir as escadas e sentou-se com o livro em branco. Pensou que deveria escrever. (Pedro F)
Mas escrever o quê, se só sabia assinar o seu nome… (Sónia)
6.45 (Tocou o despertador)
Acordara mais uma vez a meio do sonho. (Rute)
António tomava, então, o pequeno-almoço quando pensou: Eu posso não saber escrever, mas posso registar num gravador aquilo que quero escrever. (Luís Freire)
Ao lembrar-se que podia gravar o que devejava escrever, foi buscar o gravador e disse com uma voz forte:
- Quem te enviou livro? (Catarina Lino)
- Vim directamente da Torre de Babel. António abriu muito os olhos e esqueceu-se de fechar a boca. Então o livro responde-lhe?! (Regina)
- Vou contar-te uma história muito interessante. Começa já a escrever. (Lourdes)
E assim continuou por mais um par de horas, criando diálogos entre si e um livro que falava. Ao fim da primeira hora já havia também um gato mudo. (Ricardo)
Depois fechou esse livro vindo, talvez, do outro mundo e tentou adormecer. No entanto, estava estava excitado demais para dormir…(Vasco)
Resolveu sair da cama e apanhar um pouco de ar fresco da noite. (Carla)
Pegou no gravador e perguntou à noite:
- Quem te enviou, noite?
Tal como o livro, a noite respondeu.
- Vim directamente do fim do mundo.
A conversa com a noite foi curta. A noite era fria, lacónica e o fim do mundo não era sítio que quisesse conhecer. (Catarina)
A campainha tocou. António desceu as escadas à pressa. No chão estava um caixote enorme. «E  se for uma bomba? Ou gás sarin?» - pensou. «Não vou abrir» e fechou a porta. (Elsa Caetano)