sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Colectivo 10: Elsa Caetano

O CAIXOTE


A campainha tocou. António desceu as escadas à pressa. No chão, estava um enorme caixote com um letreiro que dizia «António Cunha». (Elsa Caetano)
António aproximu-se da porta da rua, mas não viu ninguém. No deserto da estrada, era apenas ele e o caixote. Coçou o queixo. (Sónia Louro)
O caixote encontrava-se impecavelmente selado, sem qualquer referência ao remetente. (Gonçalo Dias)
Coçou o queixo novamente (era a sua marca registada)e tirou o canivete do bolso. (Pedro)
«E  se for uma bomba? Ou gás sarin?» - pensou. «Andam por aí muitos malucos». (Sofia)
Abriu o caixote com a ajuda do canivete e dentro estava um livro. (Ricardo)
Pegou no livro e reparou que a capa não tinha título. Abriu algumas páginas e viu que não tinham texto. Era um livro em branco. (Vera)
António voltou a subir as escadas e sentou-se com o livro em branco. Pensou que deveria escrever. (Pedro F)
Mas escrever o quê, se só sabia assinar o seu nome… (Sónia)
6.45 (Tocou o despertador)
Acordara mais uma vez a meio do sonho. (Rute)
António tomava, então, o pequeno-almoço quando pensou: Eu posso não saber escrever, mas posso registar num gravador aquilo que quero escrever. (Luís Freire)
Ao lembrar-se que podia gravar o que devejava escrever, foi buscar o gravador e disse com uma voz forte:
- Quem te enviou livro? (Catarina Lino)
- Vim directamente da Torre de Babel. António abriu muito os olhos e esqueceu-se de fechar a boca. Então o livro responde-lhe?! (Regina)
- Vou contar-te uma história muito interessante. Começa já a escrever. (Lourdes)
E assim continuou por mais um par de horas, criando diálogos entre si e um livro que falava. Ao fim da primeira hora já havia também um gato mudo. (Ricardo)
Depois fechou esse livro vindo, talvez, do outro mundo e tentou adormecer. No entanto, estava estava excitado demais para dormir…(Vasco)
Resolveu sair da cama e apanhar um pouco de ar fresco da noite. (Carla)
Pegou no gravador e perguntou à noite:
- Quem te enviou, noite?
Tal como o livro, a noite respondeu.
- Vim directamente do fim do mundo.
A conversa com a noite foi curta. A noite era fria, lacónica e o fim do mundo não era sítio que quisesse conhecer. (Catarina)
A campainha tocou. António desceu as escadas à pressa. No chão estava um caixote enorme. «E  se for uma bomba? Ou gás sarin?» - pensou. «Não vou abrir» e fechou a porta. (Elsa Caetano)

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