sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Colectivo 6 - Vasco Oliveira

A borboleta do meu marido.

São oito da noite. Como de costume, Alice chegou a casa cansada de servir bicas o dia inteiro pelo café. Ouve um barulho vindo do quarto, vai lá depressa e dá com o marido vestido com as roupas de mulher.
(Vasco)
Mas que raio se passava na cabeça daquele homem? Teria enlouquecido?
(Carla)
Alice bateu então violentamente com porta, para se anunciar, para que chegasse realidade àquele momento e, sobretudo, à cabeça do marido.
(Catarina)
– Querida, temos que falar. – disse João, ao mesmo tempo que arranjava o soutien desengonçado por baixo do vestido. A mulher sentou-se no chão em choque perante o enorme sorriso que via rasgado na cara do marido.
(Elsa)
– Já não estou desempregado. Arranjei emprego e pagam-me bem. – contou-lhe o homem.
(Sónia L.)
Alice sentia-se profundamente em conflito. Por um lado, já era tempo de João conseguir trabalho. Por outro, ele estava a alargar-lhe o seu novo top da Zara com a sua barriga proeminente.
(Gonçalo)
Ele ia procurando agora as palavras enquanto colocava duas bolas de meias dobradas dentro do soutien, encostadas a cada mamilo.
(Pedro)
– Por enquanto tem que ser! Mas depois das injeções de hormonas vais ver! Não vai haver bolas de meias cá prá Joaninha! – E ri-se.
(Sofia)
– Mas João, o que raio se anda a passar?! Que trabalho é esse? Não me digas que agora dás shows de traveca no “Finalmente” ou lá no “Trumps”?!
(Ricardo)
João, descalçando um dos sapatos de salto alto – e que incómodos eram! – , olhou para ela e disse-lhe:
(Vera)
– Também, mas o mais importante é que larguei a cola. Já não cheiro.
(Pedro F.)
                – Parece-me que esse é o menor dos teus problemas, se queres continuar casado comigo claro – afirmou a mulher enquanto tentava travar as lágrimas a custo.
(Sónia)
                – Calma querida! Eu vou substituir a Judite de Sousa na TVI!
(Rute)
                Foi aí que Alice repentinamente lhe perguntou entusiasmada:
                – Eles pagam-te bem? É que se pagarem, eu posso fazer de José Alberto Carvalho.
(Luís Freire)
João sentou-se já confuso e disse:
                – Querida, eu não sei se consigo arranjar-te pelos falsos para colares no peito…
(Catarina Lino)
                – Deixa comigo. Tu não sabes o que se consegue num salão de beleza, mesmos dos mais rasca. – respondeu Alice com um brilho nos olhos.
(Regina)
No dia seguinte, não se reconheceram ambos ao espelho.
(Lourdes)
Mas o mais embaraçoso para ela, foi ter dado conta que aquele homem com quem passara a noite já não era o seu marido.
(Ricardo)
Era, indubitavelmente, uma pessoa diferente, quase como se tivessem ambos invertido os sexos. Levantou-se da cama da cama, enjoada de sentir fufa e saiu por fora, talvez para a TVI.

(Vasco)

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