sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Colectivo 9: poema Catarina Lino





Catarina Lino
 

O que sou?

Tudo sou

porque nada tenho.




Regina
 

Sou livro em branco

à tua espera!



Lourdes
 

Sou poema por acabar

que começa agora…




Ricardo
 

Agora começa por acabar

se não fosse poema, seria vida.




Vasco
 

Mas sei lá o que és,
ó Vida!



Carla
 

Cada poema é uma vida

cada vida é um poema

Mas eu sou um verso desajeitado.




Catarina
 

O ritmo não o tenho.

Sou um ponto.




Elsa Caetano
 

Um ponto no nada.




Sónia C.
 

Ou um ponto no tudo?

Talvez não passe

de uma vírgula usada.




Gonçalo Dias
 

Usada, reciclada, entre o sujeito e o predicado,

assim sou eu:

ora uma vírgula, ora um disco riscado.




Pedro
 

Vivo entre aspas

minha concordância é com nada.

Um concordar porque sim.




Sofia
 

Ser um ponto no nada e no tudo.

Apenas ser




Ricardo
 

Ser,

não ser,

não existe questão.

A única questão




Vera
 

é que sei

que nada sei




Pedro F.
 

e que sei

que tudo quero.

Amanhã há laranjas.

 




Sónia
 

Há poemas em cada esquina

são as mães e os frutos dos pontos da vida

Estes sapatos ortopédicos




Rute
 

que me enformam o pé

deformam-me o caminho,

o tão – só o meu caminhar

Mas que raio é este muro?!




Luís Freire
 

Muro, muro que és tão duro

sai da frente que quero caminhar!

Se não saíres terei que te quebrar.



 





Catarina Lino
 

Mas afinal o que sou eu?

                                          …um pássaro sem asas perdido no mundo.

-------------
ORIGINAL:


Catarina Lino
 
O que sou?

Tudo sou

porque nada tenho.


Regina
 
Livro em branco

à tua espera!


Lourdes
 
Poema por acabar

que começa agora…


Ricardo
 
Agora começa por acabar

não fosse poema, seria vida


Vasco
 
mas sei lá o que és,
ó Vida!


Carla
 
Poema – vida

vida – poema


Catarina
 
eu sou um verso desajeitado

o ritmo


Elsa Caetano
 
não o tenho. Sou um ponto.

Um ponto no nada.


Sónia C.
 
Ou um ponto de tudo?

Talvez não passe

de uma vírgula usada.


Gonçalo Dias
 
Usada, reciclada, entre o sujeito e o predicado,

assim sou eu: ora uma vírgula, ora um disco riscado.


Pedro
 
Vivo entre aspas

minha concordância é com nada.


Sofia
 
Um concordar porque sim.

Ser um ponto de nada e de tudo.

Ser.


Ricardo
 
Ser.

Não ser.

Não existe questão.

A única questão


Vera
 
é que

sei

que nada sei


Pedro F.
 
e que sei

que tudo quero.

Amanhã há laranjas.


Sónia
 
Há poemas em cada esquina

são as mães e os frutos dos pontos da vida

Estes sapatos ortopédicos


Rute
 
Que me enformam o pé.

Deformam-me o caminho,

o tão – só o meu caminhar

mas que raio é este muro


Luís Freire
 
muro, muro és tão duro

sai da frente que quero caminhar

se não saíres tenho que te quebrar.


Catarina Lino
 
Mas o que sou eu?

                              …um pássaro sem asas perdido no mundo.

 

 

 

Sem comentários:

Enviar um comentário